Manutenção na “Escadinha de Jacó”

Manutenção na “Escadinha de Jacó”

No dia 05 de julho de 2025, A FEEMERJ esteve novamente no acesso alternativo ao Costão do Pão de Açúcar para mais uma intervenção de preservação.

O local já acumulava 5 furos corroídos e um sexto grampo já em processo de degradação — então, a sétima reforma no mesmo ponto deveria ser mais eficaz e duradoura

A antiga proteção foi substituída por um novo grampo de titânio, pensado para durar um século, mesmo sob alta corrosão por maresia e longa permanência de umidade neste ponto da via.

Essa ação seguiu as diretrizes do documento Ancoragens seguras que duram um século!

Após a remoção do grampo corroído, aplicamos o adesivo vinil éster Walsywa WQI 44 para preencher os furos anteriores e restaurar visualmente o local.

Reforma na via normal do Garrafão (PARNASO)

Reforma na via normal do Garrafão (PARNASO)

Nos dias 28 e 29 de junho, foi realizada manutenção da via normal do Garrafão.

O principal objetivo desta intervenção foi possibilitar a ascensão pelo cabo de aço utilizando como segurança os procedimentos convencionais da escalada em rocha, com o uso de corda e costuras nas proteções fixas.

Para que isso pudesse ser realizado, foram instaladas 10 proteções fixas na rocha, seguindo o caminho do cabo.

Em detalhes, as seguintes intervenções foram realizadas:

  • Rapel da Grutinha

Foi removida uma chapa de aço carbono que não permitia rapel e instalada uma chapa Bonier modelo PinGo. Aproveitou-se o grampo tipo P já existente para configurar uma parada dupla (fig. 1).

Figura 1: Arthur Estevez instalando a chapa PinGo na Grutinha. Foto: Ernane Wermelinger
  • Rapel do Cabo

Duas chapas Bonier modelo simPles foram substituídas por chapas modelo duPla. Um dos chumbadores foi reaproveitado e o outro reposicionado para melhor alinhamento da parada. A cerca de 20 metros de altura, foi instalado um ponto de rapel com uma chapa PinGo e uma duPla.

  • Trecho da Rolha

Após o trecho de trepa-pedra, por uma canaleta, onde havia um grampo tipo P, foi estabelecida a P1 com uma chapa duPla e uma PinGo. 

No trecho seguinte, que anteriormente contava com uma corda fixa preta amarrada a uma árvore, foram instaladas três chapas PinGo, garantindo uma progressão mais limpa e segura (fig. 2).

Figura 2: PinGo instalada

Na sequência, foi criada a P2, utilizando uma duPla e reaproveitando um grampo P existente. A P3 também foi duplicada com a instalação de uma chapa duPla adicional (fig. 3).

Figura 3: P3 duplicada

 

  • Subida pelo Cabo

Foram instaladas 10 chapas PinGo ao lado do cabo de aço, oferecendo proteção contínua e segura durante a ascensão com técnicas convencionais de escalada.

A FEEMERJ apoiou a reforma através do FIM-TE (Fundo de Incentivo ao Manejo de Trilhas e vias de Escalada), com material e suporte técnico.

O trabalho foi voluntariamente executado por Arthur Estevez (Abrigo Cumes e ABGM) e Ernane Wermelinger (Tufo), representando o Centro Excursionista Brasileiro.

A FEEMERJ agradece, em nome de toda comunidade, imensamente o trabalho realizado pelos dois pela conservação de mais uma via.

Agradecemos também ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos pelo apoio de sempre!

Trecho da aproximação ao Garrafão (Foto: Arthur Estevez e Ernane Wermelinger)

Como podemos deixar nossas vias de escalada mais seguras e PRESERVAR a rocha?

Como podemos deixar nossas vias de escalada mais seguras e PRESERVAR a rocha?

Conheça o FIM-TE e saiba como ajudar

PARTICIPE DA CONSTRUÇÃO DE UM LEGADO SEGURO!

As vias de escalada são parte do patrimônio coletivo da nossa comunidade.

Foram abertas com coragem e dedicação, mas muitas ainda contam com proteções antigas de aço carbono, instaladas nas décadas passadas — hoje, algumas gravemente comprometidas pela corrosão, especialmente no clima agressivo do Rio. Outras apresentam deficiências de instalação ou de método, o que também compromete a segurança.

O MOMENTO DE AGIR É AGORA!

A FEEMERJ mantém o FIM-TE: um programa pioneiro que busca auxiliar tecnicamente nossa comunidade com o que há de mais moderno e seguro tanto em relação às trilhas como vias de escalada.

O FIM-TE fornece tanto suporte técnico quanto material.

Porém, o fornecimento de material tem custos e, considerando que sabíamos no passado muito pouco sobre a longevidade e segurança de nossas proteções fixas, chegamos em um momento crucial: nossas vias precisam passar por reformas e tornarem-se mais seguras e longevas.

Com isso, a demanda por conhecimento técnico e material vem crescendo continuamente e a FEEMERJ conta com nossa comunidade para viabilizar essas reformas e garantir um século de vias seguras e preservadas para nós e para as próximas gerações.

Abrimos uma vaquinha para receber as contribuições — todo valor é bem-vindo.

A primeira via da lista é a Íbis, localizada no Pão de Açúcar — as especificações dessa reforma estarão disponíveis em nosso site, em breve.

 

As doações podem ser feitas via PIX:

Chave PIX: 04.138.795/0001-50

 

 

Solicitamos que os comprovantes sejam enviados para: tecnica@feemerj.org

O risco da escalada deve estar na arte do movimento — nunca na falha de uma proteção fixa.

Se você escala, já escalou, ou quer que futuras gerações escalem com segurança: essa reforma também é sua.

Contamos com você!

 

 

 

Nota sobre o acidente de Juliana Marins

Nota sobre o acidente de Juliana Marins

Rio de Janeiro, 27 de junho de 2025

Nota da Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (FEEMERJ) sobre o acidente sofrido por Juliana Marins no vulcão Rinjani, Indonésia

Desde o último final de semana a FEEMERJ vem recebendo inúmeros contatos de diferentes veículos de comunicação com muitas dúvidas sobre segurança e resgate em atividades de montanha, em decorrência do triste acidente de Juliana Marins.

Recebemos com grande tristeza a notícia de seu falecimento e gostaríamos de enviar os nossos mais sinceros sentimentos à família e amigos de Juliana Marins.

O objetivo desta nota não é apontar culpados e tão pouco analisar os pormenores do acidente de Juliana – não temos informações suficientes e precisas sobre tudo o que ocasionou o acidente e todos os desdobramentos posteriores. Procuramos aqui esclarecer as dúvidas e questionamentos de uma forma geral, que nos foram enviados referentes à prática de montanhismo, sem nenhuma referência específica ao acidente em questão.

O montanhismo é um esporte, que abrange caminhada em trilhas e vias de escalada em suas diferentes modalidades e atividades correlatas. No Brasil, o montanhismo conta com milhares de praticantes, que comumente viajam para praticá-lo em outros países.

Quando se fala na prática do montanhismo, assim como em outros esportes praticados na natureza, é importante ter consciência que esses envolvem perigos e riscos inerentes aos ambientes naturais, sendo necessário se preparar para mitigar e gerenciar tais riscos.

Alguns perigos de esportes e atividades recreativas em ambientes naturais incluem: animais peçonhentos, queda de pedras, tombos em terrenos acidentados e escorregadios, queda de árvores e galhos, raios, variações climáticas bruscas, entre outros.

Diversos acidentes são possíveis em ambientes naturais podendo gerar: escoriações, entorses, fraturas, hipotermia, insolação, hemorragias, desidratação, afogamento e reações alérgicas. O tipo e a gravidade desses acidentes podem levar a traumas permanentes ou morte.

Em áreas naturais a comunicação e o transporte são difíceis. Salvamentos, resgates e cuidados médicos imediatos podem ter atrasos significativos.

Nesse contexto, é fundamental que o montanhista esteja preparado para avaliar os riscos e lidar com situações de emergências. Para isso é fundamental procurar se qualificar continuamente, e ir acumulando experiências de forma gradual, em termos de dificuldade técnica, esforço físico, exposição ao risco e de complexidade do ambiente. Dessa forma, o montanhista pode ir conhecendo seus limites (técnico, físico e psicológico) frente aos desafios naturais que cada local apresenta.

A FEEMERJ reafirma seu compromisso com o montanhismo seguro, consciente e responsável. Seguiremos orientando os montanhistas, clubes e guias, incentivando o preparo contínuo, o planejamento adequado e o respeito aos limites individuais e ambientais. 

Também reforçamos a importância de buscar informações em fontes confiáveis, como os clubes de montanhismo, federações estaduais, ABGM (Associação Brasileira de Guias de Montanha), CBME (Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada) e UIAA (União Internacional das Associações de Alpinismo).

Informe via Íbis (Pão de Açúcar, Rio de Janeiro)

Informe via Íbis (Pão de Açúcar, Rio de Janeiro)

A Diretoria Técnica da FEEMERJ, em parceria com o CERJ — clube curador da via — e com o especial apoio de voluntários, concluiu uma etapa fundamental do plano de reforma: a especificação Técnica.

Ela reúne o histórico da via, a base teórica sobre corrosão ambiental (ISO 9223) e um plano de ação com durabilidade alvo de até 100 anos, aplicando o conhecimento da Comissão de Segurança da UIAA e os critérios da norma UIAA 123 e EN 959 para ancoragens fixas.

O documento estará em breve disponível em nossa biblioteca.

Ainda como parte desta primeira etapa, no dia 14/06, na Urca, foi realizado o primeiro de uma série de treinamentos com voluntários, que atuarão nas próximas fases da reforma.

Se quiser ajudar como voluntário, envie um email com um breve histórico de sua experiência na área para:

tecnica@feemerj.org

Para contribuir financeiramente com a compra de material, faça uma doação para o FIM-TE:

chave PIX:
04.138.795/0001-50

Pedimos o favor de enviar o comprovante por email: tecnica@feemerj.org para seu reconhecimento como apoiador.