No dia 16 de agosto, foi realizada a manutenção na via de acesso ao cume do Cabeça de Peixe, um percurso técnico, instável e bastante afetado pela erosão.
O objetivo desta manutenção era proteger a vegetaçãoque vem se deteriorando desde o último grande deslizamento.
Para isso, foram instalados oito degraus na área do deslizamento mais recente, além de novos degraus em outros pontos e de proteções fixas para rapel, permitindo maior fluidez e segurança tanto na subida quanto na descida.
Destacamos que o trabalho não alterou a natureza desafiadora da via: ela continua técnica, além de exigir preparo físico e atenção.
O objetivo foi proteger a vegetação local e evitar o agravamento do processo erosivo que vinha se acentuando no local, permitindo assim que essa montanha mantenha sua beleza e sua integridade ambiental.
A manutenção foi realizada sob coordenação da FEEMERJ (via FIM-TE) e do Clube Excursionista Carioca (CEC -entidade curadora da via).
O trabalho foi realizado voluntariamente por: Frederico Campos (DT FEEMERJ), Guto Pimenta (CEC), Gabriela Magnani (CEC), Leonardo Pelisoli (CEB)com apoio de Sabrina Cruz (CEC) e Rodrigo Ferreira (CEC).
Muito obrigada, pessoal!
Figura 1: Instalando a sequência de degraus na zona do deslizamento.
Figura 2: Degraus instalados e proteção fixa para segurança e rapel.
A Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (FEEMERJ) vem a público manifestar seu repúdio à intervenção realizada na Falésia dos Orixás, em Barra de Guaratiba, onde vias originalmente conquistadas com proteção móvel foram alteradas de forma massiva e irresponsável, com a instalação de chapas e bolts de baixa qualidade técnica.
A abertura de vias de escalada é reconhecida como uma expressão legítima de autoria, protegida por direitos autorais e pela ética do montanhismo. Modificações não autorizadas em vias clássicas, especialmente aquelas documentadas e consolidadas na comunidade, configuram uma violação ética e histórica, além de colocar em risco a segurança dos praticantes.
A FEEMERJ se solidariza com os escaladores e escaladoras que se mobilizaram para restaurar as vias afetadas com a autorização do conquistador e reafirma seu compromisso com a preservação da cultura da escalada tradicional, o respeito às conquistas históricas e a promoção de boas práticas no ambiente natural.
Seguiremos atentos e atuantes para que episódios como este não se repitam. Convidamos os responsáveis pela intervenção na Falésia dos Orixás a se manifestarem e se juntarem a nós em uma conversa aberta, pautada pelo respeito e pela escuta. Nosso objetivo é compreender as motivações, promover o diálogo e fortalecer a educação dentro da comunidade da escalada, evitando o confronto e buscando soluções coletivas que preservem a ética e a história das vias.
Recomendamos atenção ao escalar a via devido a presença de ninho de urubus no salão azul,embaixo do lance de tesoura.
Procurem evitar a repetição da via até a penúltima semana de setembro, pois o período de incubação e cuidado parental pode se estender por cerca de 50 dias.
Federação dos Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro, 18.08.2025
No dia 05 de julho de 2025, A FEEMERJ esteve novamente no acesso alternativo ao Costão do Pão de Açúcar para mais uma intervenção de preservação.
O local já acumulava 5 furos corroídos e um sexto grampo já em processo de degradação — então, a sétima reforma no mesmo ponto deveria ser mais eficaz e duradoura.
A antiga proteção foi substituída por um novo grampo de titânio, pensado para durar um século, mesmo sob alta corrosão por maresia e longa permanência de umidade neste ponto da via.
Nos dias 28 e 29 de junho, foi realizada manutençãoda via normal do Garrafão.
O principal objetivo desta intervenção foi possibilitar a ascensão pelo cabo de aço utilizando como segurança os procedimentos convencionais da escalada em rocha, com o uso de corda e costuras nas proteções fixas.
Para que isso pudesse ser realizado, foram instaladas 10 proteções fixas na rocha, seguindo o caminho do cabo.
Em detalhes, as seguintes intervenções foram realizadas:
Rapel da Grutinha
Foi removida uma chapa de aço carbono que não permitia rapel e instalada uma chapa Bonier modelo PinGo. Aproveitou-se o grampo tipo P já existente para configurar uma parada dupla (fig. 1).
Figura 1: Arthur Estevez instalando a chapa PinGo na Grutinha. Foto: Ernane Wermelinger
Rapel do Cabo
Duas chapas Bonier modelo simPles foram substituídas por chapas modelo duPla. Um dos chumbadores foi reaproveitado e o outro reposicionado para melhor alinhamento da parada. A cerca de 20 metros de altura, foi instalado um ponto de rapel com uma chapa PinGo e uma duPla.
Trecho da Rolha
Após o trecho de trepa-pedra, por uma canaleta, onde havia um grampo tipo P, foi estabelecida a P1 com uma chapa duPla e uma PinGo.
No trecho seguinte, que anteriormente contava com uma corda fixa preta amarrada a uma árvore, foram instaladas três chapas PinGo, garantindo uma progressão mais limpa e segura (fig. 2).
Figura 2: PinGo instalada
Na sequência, foi criada a P2, utilizando uma duPla e reaproveitando um grampo P existente. A P3 também foi duplicada com a instalação de uma chapa duPla adicional (fig. 3).
Figura 3: P3 duplicada
Subida pelo Cabo
Foram instaladas 10 chapas PinGo ao lado do cabo de aço, oferecendo proteção contínua e segura durante a ascensão com técnicas convencionais de escalada.
A FEEMERJ apoiou a reforma através do FIM-TE (Fundo de Incentivo ao Manejo de Trilhas e vias de Escalada), com material e suporte técnico.
O trabalho foi voluntariamente executado por Arthur Estevez (Abrigo Cumes e ABGM) e Ernane Wermelinger (Tufo), representando o Centro Excursionista Brasileiro.
A FEEMERJ agradece, em nome de toda comunidade, imensamente o trabalho realizadopelos dois pela conservação de mais uma via.
Agradecemos também ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos pelo apoio de sempre!
Trecho da aproximação ao Garrafão (Foto: Arthur Estevez e Ernane Wermelinger)