Nota sobre o acidente de Juliana Marins

Nota sobre o acidente de Juliana Marins

Rio de Janeiro, 27 de junho de 2025

Nota da Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (FEEMERJ) sobre o acidente sofrido por Juliana Marins no vulcão Rinjani, Indonésia

Desde o último final de semana a FEEMERJ vem recebendo inúmeros contatos de diferentes veículos de comunicação com muitas dúvidas sobre segurança e resgate em atividades de montanha, em decorrência do triste acidente de Juliana Marins.

Recebemos com grande tristeza a notícia de seu falecimento e gostaríamos de enviar os nossos mais sinceros sentimentos à família e amigos de Juliana Marins.

O objetivo desta nota não é apontar culpados e tão pouco analisar os pormenores do acidente de Juliana – não temos informações suficientes e precisas sobre tudo o que ocasionou o acidente e todos os desdobramentos posteriores. Procuramos aqui esclarecer as dúvidas e questionamentos de uma forma geral, que nos foram enviados referentes à prática de montanhismo, sem nenhuma referência específica ao acidente em questão.

O montanhismo é um esporte, que abrange caminhada em trilhas e vias de escalada em suas diferentes modalidades e atividades correlatas. No Brasil, o montanhismo conta com milhares de praticantes, que comumente viajam para praticá-lo em outros países.

Quando se fala na prática do montanhismo, assim como em outros esportes praticados na natureza, é importante ter consciência que esses envolvem perigos e riscos inerentes aos ambientes naturais, sendo necessário se preparar para mitigar e gerenciar tais riscos.

Alguns perigos de esportes e atividades recreativas em ambientes naturais incluem: animais peçonhentos, queda de pedras, tombos em terrenos acidentados e escorregadios, queda de árvores e galhos, raios, variações climáticas bruscas, entre outros.

Diversos acidentes são possíveis em ambientes naturais podendo gerar: escoriações, entorses, fraturas, hipotermia, insolação, hemorragias, desidratação, afogamento e reações alérgicas. O tipo e a gravidade desses acidentes podem levar a traumas permanentes ou morte.

Em áreas naturais a comunicação e o transporte são difíceis. Salvamentos, resgates e cuidados médicos imediatos podem ter atrasos significativos.

Nesse contexto, é fundamental que o montanhista esteja preparado para avaliar os riscos e lidar com situações de emergências. Para isso é fundamental procurar se qualificar continuamente, e ir acumulando experiências de forma gradual, em termos de dificuldade técnica, esforço físico, exposição ao risco e de complexidade do ambiente. Dessa forma, o montanhista pode ir conhecendo seus limites (técnico, físico e psicológico) frente aos desafios naturais que cada local apresenta.

A FEEMERJ reafirma seu compromisso com o montanhismo seguro, consciente e responsável. Seguiremos orientando os montanhistas, clubes e guias, incentivando o preparo contínuo, o planejamento adequado e o respeito aos limites individuais e ambientais. 

Também reforçamos a importância de buscar informações em fontes confiáveis, como os clubes de montanhismo, federações estaduais, ABGM (Associação Brasileira de Guias de Montanha), CBME (Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada) e UIAA (União Internacional das Associações de Alpinismo).

Informe via Íbis (Pão de Açúcar, Rio de Janeiro)

Informe via Íbis (Pão de Açúcar, Rio de Janeiro)

A Diretoria Técnica da FEEMERJ, em parceria com o CERJ — clube curador da via — e com o especial apoio de voluntários, concluiu uma etapa fundamental do plano de reforma: a especificação Técnica.

Ela reúne o histórico da via, a base teórica sobre corrosão ambiental (ISO 9223) e um plano de ação com durabilidade alvo de até 100 anos, aplicando o conhecimento da Comissão de Segurança da UIAA e os critérios da norma UIAA 123 e EN 959 para ancoragens fixas.

O documento estará em breve disponível em nossa biblioteca.

Ainda como parte desta primeira etapa, no dia 14/06, na Urca, foi realizado o primeiro de uma série de treinamentos com voluntários, que atuarão nas próximas fases da reforma.

Se quiser ajudar como voluntário, envie um email com um breve histórico de sua experiência na área para:

tecnica@feemerj.org

Para contribuir financeiramente com a compra de material, faça uma doação para o FIM-TE:

chave PIX:
04.138.795/0001-50

Pedimos o favor de enviar o comprovante por email: tecnica@feemerj.org para seu reconhecimento como apoiador.

CARTA ABERTA AO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

CARTA ABERTA AO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

CARTA ABERTA AO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

Nós, familiares, amigos e colegas de montanhismo de Edson Vandeira Costa, fotógrafo e escalador brasileiro de 36 anos, viemos, por meio desta, fazer um apelo urgente. Edson está desaparecido desde 1º de junho de 2025, quando realizava uma expedição no Nevado Artesonraju, na Cordilheira Branca, no Peru, ao lado de dois montanhistas peruanos, Efraín Pretel Alonzo e Jesús Picón Huerta, que também permanecem desaparecidos.

Desde então, mobilizamos todos os recursos possíveis, em colaboração com autoridades peruanas e voluntários locais, na tentativa de ampliar as buscas. No entanto, a região de difícil acesso e de condições climáticas severas impõem desafios que excedem as capacidades das equipes de resgate no momento. A operação necessita com urgência de apoio logístico mais robusto, incluindo um helicóptero especializado para varreduras aéreas em pontos críticos.

Diante da gravidade da situação, apelamos pela atuação urgente do Ministério das Relações Exteriores, em parceria com a Embaixada do Brasil no Peru, para intensificar as buscas e garantir que os esforços sejam imediatos, coordenados e eficazes. O contato direto e a pressão diplomática junto às autoridades peruanas são indispensáveis para que as expedições de resgate avancem de maneira resoluta, com os equipamentos necessários.

O governo brasileiro tem o dever de atuar rapidamente para garantir todo o suporte possível. Cada minuto perdido reduz as chances de um desfecho positivo, e não podemos permitir que a burocracia ou a falta de ação comprometam vidas. É urgente que esta situação seja tratada como prioridade absoluta.

Na expectativa de uma resposta rápida e eficaz por parte de Vossa Excelência, aguardamos sua ação imediata.

Assinam esta carta familiares, amigos, Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME), a Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo (FEMESP), a Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (FEEMERJ), Federação Paranaense de Montanhismo (FEPAM) e outras 14 entidades ligadas ao montanhismo brasileiro.

Ajude a buscar Edson Vandera e equipe!

Ajude a buscar Edson Vandera e equipe!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ajude nas buscas por Edson Vandeira e equipe – Resgate em andamento no Artesonraju, Cordilheira Branca, Peru

Amigos, comunidade da montanha e todos que acreditam na força da solidariedade:

Três escaladores – entre eles o brasileiro Edson Vandeira – estão desparecidos desde o dia 1º de junho na montanha Artesonraju, um dos picos mais exigente da Cordilheira Blanca, no Peru.

Eles faziam parte de uma expedição junto à CEAM – Formación Profesional en UIAGM de Montanha, com experiência técnica reconhecida.

Na madrugada do resgate, a barraca da equipe foi encontrada vazia. Há indícios de que o grupo tenha alcançado o cume e, possivelmente, algo grave ocorreu durante a descida.

As buscas estão a todo vapor: equipes de resgate estão sendo mobilizadas com urgência, envolvendo montanhistas locais, guias, policiais, amigos e familiares.

Porém, o resgate em alta montanha é extremamente complexo: demanda logísitca intensa, equipamentos específicos, alimentação, deslocamentos em altitude e muito comprometimento humano e técnico.

Por isso, estamos levantando fundos para cobrir os custos operacionais do resgate e custos de deslocamento dos familiares até o Peru. Toda contribuição, de qualquer valor, faz a diferença agora.

Essa ajuda será essencial para manter as buscas ativas e oferecer todas as condições possíveis para encontrar Edson e os demais.

Você pode ajudar agora. Doe, compartilhe e fortaleça essa corrente de apoio.

Cada minuto é precioso. Seguimos com esperança e unidos por um proósito maior: trazer nossos amigos de volta.

Com gratidão, amigos e familia do Edson.

Para contibuir com a vaquinha clique aqui.

 

 

 

 

Novo documento: Boas práticas na instalação de proteções fixas com chumbador mecânico de expansão por torque controlado

Novo documento: Boas práticas na instalação de proteções fixas com chumbador mecânico de expansão por torque controlado

É com enorme satisfação que publicamos o mais novo documento de nossa Série Técnica de Montanhismo (STM):

Boas práticas na instalação de proteções fixas com chumbador mecânico de expansão por torque controlado“.

Apesar do nome grande e meio complexo, o documento aborda didaticamente as famosas “chapas” e “chumbadores” amplamente utilizados em vias de todo o mundo,

A simplicidade de instalação esconde alguns detalhes extremamente importantes, que garantem a reprodutibilidade do processo e a longevidade da instalação.

Quem nunca se deparou com uma chapa girando livremente ou um chumbador deteriorado em uma chapa perfeita? Como saber se a instalação está segura? Como escolher o melhor local para a instalação? Que cuidados devo ter durante uma manutenção de via?

São inúmeras perguntas respondidas detalhadamente com muitas imagens e exemplos.

Voltado à escalada em rocha, este artigo reúne um guia prático para instalar, com segurança, proteções fixas que empregam chumbadores mecânicos de expansão por torque — da escolha da broca ao torque final. As boas práticas apresentadas somam décadas de experiência da indústria e do esporte, adaptadas às exigências específicas das ancoragens em paredes verticais.

O documento está alinhado às melhores práticas e recomendações da Comissão de Segurança da UIAA. Esperamos que aprendam muito com ele.

Clique aqui para acessar o documento ou visite nossa biblioteca.